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Foto do poeta e escritor português Mário de Sá-Carneiro (1890/1916)
"Creia, meu querido Fernando Pessoa, perdamos por completo as ilusões: eu toco o fim - um fim embandeirado, mas em todo o caso um limite. Acabei já - acabei após a minha chegada aqui [Paris]. Hoje sou o embalsamamento de mim próprio. Não tenho estados de alma, nem os posso ter já porque dentro de mim há algodão em rama ( o algodão em rama que há dentro de animais naturalizados)... Estados de alma, ânsias, tristezas, ideais, grandes torturas de que saíam os meus livros tudo isso acabou... Ilusões de glória, de 'espanto' já não existem em mim. Entusiasmos do que sou, tão pouco, porque demais sei o que sou. Sou o que quero - o que queria Ser; mas sei que o sou. Logo..."
(SÁ-CARNEIRO, Mário de. Correspondência com Fernando Pessoa/ Mário de Sá-Carneiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.)
Leitura recomendada
pelo
Prof. Dr. Sílvio Medeiros.
Campinas, é Páscoa de 2008.
criado por Sílvio Medeiros
18:13:22