Arquivinhos

Blog voltado à disseminação da produção intelectual do PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS, sobretudo no que se refere às seguintes áreas do saber: Filosofia, Poética, História, Literatura e Crítica Literária. Inclue-se, também, a poética de FERNANDO MEDEIROS.

10/9/07

IPÊS ROSAS

Ipês-rosas
Enfileirados à beira da estrada
Tráfego prosa

Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é setembro de 2007.

criado por cas24038137    9:36 — Arquivado em: Sem categoria

8/5/07

TICOTICO CANCAN

 

COSTUME ALÉM LÍRICO

Cântico novo que encerra
esplanada.
Vôo contíguo que vai
e se aproxima.
Paira, sempre, sob o verso,
uma rima rebrilhando acrílico…
Costume do falar que se convém…
Não… além lírico:
tico, tico… can, can…
Cântico folha em borbulhar nova,
respingo da glória antepassada.
E vai-se que existe
catarse por sobre o triste
novo… Ligação sublime.
Costume então resumido,
jamais presumido.
Ais do preâmbulo,
sonâmbulo espero, lírico sobrevivente
suavizando no que é mais
do que se convém.
Por sobre o erro, a
esperança, em forma acrílico, está lá Belém,
rebrilha a possibilidade de acerto.
Costume que se canta já é lírico,
sangue inspirado esquece a intriga
do falso quarteto
sob o gueto ressurreto… além
que concede, além lírico,
sede real a nossa confluência.

PALESTRA

Sempre busco uma palavra
escrita.
Sempre busco na lavra
a verdura predileta.
Sempre tosco me parece o meu presente.
Sempre morno me parece o meu instante.
E o sorriso não é, assim, irradiante.
Sempre busco em meu casebre
a flor que esteja leve.
Porém, o sorriso não é,
tão assim, confiante.
Na cama de pedra deitei a insônia,
até quero me afogar na Amazônia.
Porém, busco uma palavra… escrita:
corre desesperada a fita e,
em desespero, busco: a palavra!!
Então, sempre farto de ofensas,
guardo minhas súplicas nas despensas.
E o que parecia tão brilhante
não foi, assim, tão brilhante.
Porém, busco nesta seara,
dentre os arvoredos,
a fruta que saiba, a mais forte, a de raiz-forte!
Porém, busco nesta luz acanhada
o deslumbramento e a palavra encantada.
Sempre busco a palavra certa,
a palavra peregrina,
e a paisagem não está deserta…
Sempre busco a vitória régia,
em ninguém deve existir a inveja.
Sempre busco um som na orquestra
e a poesia numa palestra.
Sempre busco esta linha destra,
sempre busco da poesia o filtro,
a poesia em forma de palestra.

FERNANDO MEDEIROS
Campinas, verão de 2006

FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 05/01/2006
Código do texto: T94646

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criado por cas24038137    16:46 — Arquivado em: Sem categoria

14/4/07

TODA ELA XLII


Foto de Charles Baudelaire

Que dirás esta noite, ó alma abandonada,
Que dirás, coração, deserto e murcho outrora,
À muito bela, à muito boa, à muito amada,
Cujos olhos te fazem reflorir agora?

_ Que nosso orgulho apenas cante em seu louvor:
Nada se iguala à sua doce autoridade,
À carne etérea deu-lhe um Anjo seu frescor,
E seu olhar nos banha em branda claridade.

Seja na noite ou na mais funda solidão,
Seja na rua ou na difusa multidão,
Seu fantasma se agita no ar como uma flama.

Às vezes diz: “Sou bela, e ordeno como dona:
Pelo amor que me tens, o Belo apenas ama;
Sou teu Anjo guardião, sou Musa e sou Madona.”
(Charles BAUDELAIRE. As Flores do Mal. Tradução Ivo Junqueira)

Leitura recomendada
pelo professor
doutor Sílvio Medeiros.

Campinas, é outono de 2007.

criado por cas24038137    14:53 — Arquivado em: Sem categoria
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