15/3/07
Sra. SILHUETA

The Rose
de SALVADOR DALI
Sra. SILHUETA
Eu me lembro,
era há muito tempo,
majestosa silhueta em minhas Campinas!
Rodoviária;
rumo… São José dos Campos.
Ronco do motor,
partida…
Quarto banco é meu posto, de vigia,
primeiro banco: sra. Silhueta!
Embarque… ônibus parte; em vigília
vigilante meu olhar sobrevoa as poltronas
e desaba rumo ao livro
em mãos da elegante sra. Silhueta;
ela manipula, empurra as páginas;
desesperadas, descabeladas páginas,
mãos ágeis da sra. Silhueta…
Zig Zag… página avante, página anotada,
manipulada, rabiscada… o título!
“Deserto dos Tártaros”…
Sra. Silhueta torce, a torsão aos túrcicos, retorce, rabisca, risca, perfura e
tece, tece, tece…
Ouço gemidos, o ronco bronco;
os gritos das páginas…
A bela sra. segue sem rumo em silhuetas,
tempo medido em desmedida,
luta,
tempo sentido,
ampulheta,
e meu olhar colide com as mãos bárbaras, tártaras e
inquietas da nobre sra.
ora, ora, ora, páginas adiante, tempo avante!
Segue rumo certo, incerto;
mãos manipuladoras, saltam, pulam páginas, o grifo!
Mais um grito!
Da letra, das letras… rumam ao deserto,
rumo ao sol abrasador-matador-encantador…
As letras, as savanas, as estepes,
dunas de areia, sereia-oásis e
as letras brilham luminescência, Mercúrio!
Mergulho, essências, perfumes da sra. Silhueta;
a letra, as letras, as sílabas, vogais, consoantes, areias finíssimas
emolduradas em minha mente,
um quadro epifânico!
Rumo bem bem perdido… em pânico!
Tempo e espaço alternados,
alterados…
Meu olhar marcha sobre o quadro de letras;
ela porta as estrelas nas mãos,
que cortam, rasuram, apagam, amputam, anotam anotações,
constelações…
em abandono minhas defesas rotacampinasopmacinasaojosedostranstornadosonhosonolênciasiasonhosopmacampinasmaciasenhoracorreperdidameioaodesertartarosusbinôôô…
estrela cadente,
cabelos doirados,
caneta ou lápis?
Não me lembro, tão-somente mãos ágeis,
Sereia perigosa,
sra. Silhueta,
curvas sinuosas,
indecorosa Sereia,
gira a ampulheta,
areia fina a vida passa,
Sereia ociosa…
Intoxicanção de letras, signos,
sensações; prossigo, imaginações, estações…
Estação de embarque!
Marcus!
Desembarque…
_ Oi, Sylvius! Fez boa viagem?! – Alexandria.
Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é Marte-verão de 2007.
criado por cas24038137
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PAISAGEM, de Renoir.



