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Blog voltado à disseminação da produção intelectual do PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS, sobretudo no que se refere às seguintes áreas do saber: Filosofia, Poética, História, Literatura e Crítica Literária. Inclue-se, também, a poética de FERNANDO MEDEIROS.

30/4/07

DIÁLOGO COM ULISSES JOYCEANO

                                                             

     No belo ensaio “Uma visão de Ulisses”, cuja autoria é do consagrado romancista italiano Italo Svevo [1861-1928], além de descrever alguns aspectos do porte físico do amigo James Joyce (magro, esbelto, alto; quase um esportista, não fosse a negligência dos seus gestos), Svevo nota, também, que “êle tem um ouvido de poeta e de músico. Sei que quando Joyce escreve uma página êle pensa ter traçado uma paralela a uma de suas páginas de música preferidas” (Svevo: 1974).
     Contra o canto das sereias, Ulisses (ou Odisseu), o herói da epopéia homérica, deixou-se amarrar ao mastro principal de sua nau. Assim, Ulisses escuta o canto, mas resiste a ele. A canção das sereias é ameaçadora, porque representa a ameaça do esquecimento. Ulisses, atado ao mastro da nau, é o primeiro mortal que ouve o canto das sereias, e escapa vivo! Este é o preço que o sujeito racional deve pagar para permanecer vivo: trata-se do argumento central dos estudos filosóficos de Theodor Adorno e Max Horkheimer; ambos fazem usam do referido episódio da “Odisséia”, de Homero - e não a Filosofia! - para reforçar a “Dialética do Esclarecimento” (1).
     De outra parte, é essencial entendermos o fato de que James Joyce sempre esteve voltado ao culto da música, haja vista seus escritos tenderem para a técnica musical, procurando imitar, dessa maneira, por meios verbais, a forma musical na literatura. Do ponto de vista de Nestrovski,

“A música, para Adorno como para Joyce, é o modelo central da percepção estética, porque implica imediatez, na mesma medida de uma apropriação do tempo, mas resiste ao tempo também; isto é, o transforma em espaço na reflexão analítica, em toda escuta que passa além da mera espontaneidade.” (Nestrovski 1992, p.296).

     Todavia, se Adorno aponta para a falência do pensamento conceitual, recorrendo à música para mapear a crise da razão no capitalismo ocidental, com a finalidade de encontrar na música de vanguarda elementos para uma nova racionalidade; em contrapartida, Joyce reproduz em sua escrita sinfônica a “queda” da própria escrita. Adorno reivindica um novo tipo de filosofia, ou melhor, a escrita atonal na filosofia. Joyce reivindica um novo tipo de escrita para a literatura: a composição poético-musical.

QUE TIPO DE POÉTICA É, AFINAL, “ULISSES”?

     Talvez uma ambição técnica em querer encerrar as várias obras clássicas (encampado, sobretudo Homero) e estilos de diferentes épocas num único romance? É possível que aí resida uma tentativa assustadora e sobre-humana de síntese; ou a desejo da escritura-épico joyceana pretende explorar os conflitos entre a condição de pai (Leopold Bloom), de mãe (Molly Bloom) e de filho (Stephen Dedalus), ambicionando revelar os segredos e os enigmas da psicologia do homem moderno? Ou ainda descrever a história do mundo, em especial a conflitante história da Irlanda e dos dublinenses? Ou até mesmo simplesmente registrar, por mero capricho, epifanias - do fluxo da consciência - condenadas à cotidianidade do mundo moderno? Ou, para ficarmos com uma das sutis ponderações de Edmundo Wilson (1991): “Em ‘Ulysses’, ouvimos as personagens muito mais claramente do que as vemos: Joyce no-las descreve em frases esparsas, meticulosas, um traço aqui, outro acolá. Mas a Dublin de ‘Ulysses’ é um cidade de vozes…”. Assim, teria Joyce pretendido compor uma sinfonia das vozes de Dublin, fazendo uso da literatura?
     Poderíamos continuar elencando as várias opiniões que giram em torno do significado enigmático da obra de James Joyce, desde o seu surgimento, numa seqüência interminável. Responderíamos afirmativamente a todas elas, porque, devido a este mesmo caráter enigmático do romance, qualquer tentativa em se deter numa resposta, tomando-a como solução, seria uma atitude extremamente paradoxal. Nesse caso, pensamos que o mais importante é tomar o texto joyceano no seu conjunto e nos determos num primeiro aspecto: no jogo intertextual que a obra apresenta, na medida que o texto é pleno de alusões de diversas ordens, ecos, símbolos, metáforas, temas, motivos, etc. Isto dará margem a que nos detenhamos, em segundo lugar (e o mais importante!), na característica da poética joyceana, pois a singularidade dessa poética tende a formar um caleidoscópio luminoso no qual nada no texto é insignificante ou contingente. Dessa forma, o texto adquire foro de poema rumo a um longo processo de exegese, oferecendo à obra, conseqüentemente, o caráter e a condição de obra aberta (plena de significações), bem ao gosto de Umberto Eco quando diz que:

“… o leitor do texto sabe que cada frase, cada figura se abre para uma multiformidade de significados que ele deverá descobrir; inclusive, conforme seu estado de ânimo, ele escolherá a chave de leitura que julgar exemplar, e usará a obra na significação desejada.” (Eco 1991, p.43)

     Eco prossegue afirmando que a obra de Joyce é o exemplo máximo de “Obra Aberta”. Nesse sentido, gostaríamos de finalizar, nossa breve reflexão, apresentando outra citação do literato italiano, tomada de empréstimo de Edmundo Wilson; embora longa, ela é altamente elucidativa para a problemática até aqui discutida.

     “O mundo de ‘Ulisses’ é animado por uma vida complexa e inexaurível: revisitamo-lo tal como faríamos com uma cidade, à qual voltamos mais vezes para reconhecer os rostos, compreender as personalidades, estabelecer relações e correntes de interesses. Joyce desenvolveu considerável mestria técnica para apresentar-nos os elementos de sua história numa ordem tal que nos torne capazes de encontrar sozinhos os nossos caminhos: duvido bastante que uma memória humana consiga satisfazer todas as exigências de ‘Ulisses’, na primeira leitura. E, quando voltamos a lê-lo, podemos começar de um ponto qualquer, como se nos defrontássemos com algo de sólido, como uma cidade que existe realmente no espaço e na qual se pode entrar por onde quer que se queira - aliás, o próprio Joyce declarou, ao compor o livro, ter trabalhado simultaneamente em várias de suas partes.” (Apud Eco 1991, p.48).

NOTA

1.Cf. ADORNO, T, HOKHEIMER, M.. “Dialética do Esclarecimento: fragmentos filosóficos”. 2 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985, pp.19-80.

BIBLIOGRAFIA

ADORNO, T., HORKHEIMER, M. “Dialética do Esclarecimento: fragmentos filosóficos”. 2 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.

ECO, Umberto. “Obra Aberta: forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas”. 8 ed. São Paulo: Perspectiva, 1991.

JOYCE, James. “Ulisses”. 8 ed. Tradução de Antônio Houaiss. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1993.

NESTROVSKI, Arthur et al. “riverrun: ensaios sobre James Joyce”. Rio de Janeiro: Imago, 1992.

POUND, Ezra et al. “Joyce e o estudo dos romances modernos”. São Paulo: Editora Mayo, 1974.

PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Campinas, é verão de 2006.

SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 13/01/2006
Código do texto: T98150

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14/3/07

A JANGADA DO MEDUSA; Parte II

James Joyce, autor do romance "Ulisses"

 

Atravessando séculos e séculos - do tempo mítico para o tempo histórico -, o percurso do herói moderno tende a constituir-se no reverso do percurso do herói épico. Se os heróis clássicos se definem como homens de descendência divina, destacando-se dos comuns dos mortais pela coragem ou pela interpelação do auxílio divino, no alvorecer da modernidade, com a potência civilizatória engendrada pelas Revoluções Francesa e Industrial, surge um novo tipo de herói, agora secundado pela expansão ilimitada do domínio racional, tornada fundamento auto-suficiente de uma política utópica dotada de um espírito tecno-científico que se pretende muito eficaz em matéria de controle da natureza - o futuro é a terra prometida! Assim, a “deusa Razão” deseja realizar-se na história humana, denunciando tiranias e superstições e proclamando o fim das fronteiras entre os povos. Nesse sentido, o heroísmo não é mais singular, mas plural: ele é polifônico, ele é coisa de todos, na medida em que o povo é “convidado” a participar do referido empreendimento utópico. Se antes os deuses salvavam os seus heróis, elevando-os à condição sobre-humana, agora, em tempos modernos, aparece um novo recurso: a Razão é convocada para salvar os homens de todos os abismos.
Na tela “A Jangada do Medusa” (1), Théodore Géricault figura o novo tempo com seus heróis anônimos gestados por intermédio do movimento do pensamento iluminista. Os personagens da tela são inspirados em quê? Num fato histórico, isto é, o pincel do pintor age como a pena do repórter, cujo grau de realismo busca reconstituir todos os detalhes de um trágico acontecimento. Mas qual é o realismo que está por detrás dessa imagem dantesca? O realismo traduz a esperança dos sobreviventes de um naufrágio à vista do “Argus” - o “navio redentor”, irmão do “Medusa”. Homens desgraçados e em situações emocionais extremas de pânico, angústia e desespero olham e acenam, num estupor de esperança e desesperança, para o engenho humano “Argus” - a derradeira tábua de salvação dos náufragos.
A pintura parece “narrar” uma verdade poética, na medida em que age como uma metáfora da violenta e feroz “odisséia” da modernidade, cumpridora da “epopéia” de uma nova ordem político-econômica rumo ao privilegiado futuro.
Quem são precisamente os personagens d’ “A Jangada do Medusa”?
No verão de 1816, uma fragata real francesa – “Medusa” - naufraga nas costas da África, enquanto levava soldados e colonos franceses para a missão de colonizar o Senegal. O capitão do navio foge, e a jangada com os seus sobreviventes fica à deriva em alto mar à mercê de violentas tempestades, durante quinze dias. Procurando cumprir exemplarmente as ordens da burguesia e do comércio, dentro da jangada vemos homens nus e seminus nutridos por suas ânsias e esperanças vãs, verdadeiros espectros cambaleando ao ritmo da dança macabra regida pelos vagalhões do violento mar. Na jangada, no decorrer dos acontecimentos, foi instaurada a prática do canibalismo entre os infelizes partícipes da ação histórica fracassada, traduzindo-se numa metáfora da brutalidade política do Estado Moderno recém-instituído. Homens são orientados a mergulhar no futuro - sem o auxílio de deuses e sem as palavras das ninfas - somente com os olhos fixos no prodigioso e ameaçador espetáculo da natureza, e em busca do prometido admirável mundo novo, a fim de satisfazer os desejos titânicos dos novos poderes estabelecidos. Entretanto, o cenário natural desvenda os novos e mortais caminhos tão ambicionados pelos rumos da História recente que, com freqüência, trai os seus protagonistas. Nesse sentido, a fragata agitada e “engolida” pelos imensos vagalhões pode servir de metáfora para um Estado que abandona aqueles que o servem.
Ao fitarmos o céu desta paisagem dantesca - ou para a polaridade entre a luz e a sombra, que se desdobra sobre o mar revolto - parece-nos que Géricault procurou estabelecer os limites entre a clareza e a obscuridade ou entre o racionalismo e o irracionalismo do novo empreendimento humano, no qual o sagrado perde o direito de existir à luz da razão. Com o movimento dramático das figuras no quadro, Géricault nos comove com forte dose emotiva: a exposição dos cadáveres pelos cadáveres representa um marco político. Nela o pintor procura exprimir com intensidade dramática e épica os fatos contemporâneos.
Metáfora de uma sociedade que devora os próprios filhos, o quadro representa uma tragédia coletiva com suas esperanças e desesperanças igualmente coletivas (“Argus”, ao longe, pode, também, representar aos sobreviventes a esperança depositada nas novas formas políticas). A pintura, exercendo o papel de desvendamento da história oficial de uma época, se faz metáfora do absurdo, convertendo-se duplamente no emblema perverso do tempo burguês e numa manifestação de uma das doenças da Razão: da redenção da humanidade pelo progresso histórico. Como cenário de uma tragédia moderna, “A Jangada do Medusa” parece retratar a nossa aventura errante nos quadros de uma modernidade indiferente às multidões ou às massas anônimas lançadas ao abandono no interior das sociedades contemporâneas.

NOTAS

1.Cf. a referida tela no seguinte site: http:/www1.uol.com.br/bienal/24flash/nuh/frag_rabelais_g.htm
(outras referências: GÉRICAULT – 1791/1824 – A Jangada do Medusa, 1819. Paris, Museu do Louvre.)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HOMERO. “Odisséia”. Tradução Jaime Bruna. 13 ed. São Paulo: Cultrix, 1994.

JOYCE, James. “Música de Câmara”. Tradução Alípio C. Franca Neto. São Paulo: Iluminuras, 1998.

VERGÍLIO. “Eneida”. Tradução Carlos A. Nunes. São Paulo: UnB e A Montanha, 1983.

__________________________

Coleção:

“A Grande Arte na Pintura”. Tradução Virgínia Guimarães. Barcelona: Salvat Editores S/A, 1987 (vários volumes).

PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Campinas, é outono de 2006

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A JANGADA DO MEDUSA; Parte I

A JANGADA DO MEDUSA, de Theódore Géricault 

 

Epopéias, viajantes e o confronto dos tempos

“Escuto um exército em carga pela terra,
E estrondo de cavalos se arrojando, a espuma nos joelhos:
Arrogantes, com armadura negra, atrás deles se erguem,
Desdenhando as rédeas, com chicotes flutuantes, os cocheiros.

Eles bradam para a noite os seus nomes de guerra:
Choro dormindo ouvindo ao longe o vórtice da gargalhada.
Eles cindem o escuro onírico, fulgor que cega,
E martelam, martelam meu peito como a uma bigorna.

Eles vêm sacudindo em triunfo a verde e longa cabeleira:
Eles surgem do mar e aos berros correm pela praia.
Coração, não tens prudência nenhuma, com tal desespero?
Amor, amor, amor, por que me deixaste só ?”

(James Joyce. Música de Câmara, XXXVI)

(“ I hear an army charging upon the land
And the thunder of horses plunging, foam about thei knees.
Arrogant, in black armour, behind them stand,
Disdaining the reins, with fluttering whips, the charioteers.

They cry unto the night their battle-name:
I moan in sleep when I hear afar their whirling laughter.
They cleave the gloom of dreams, a blinding flame,
Clanging, clanging upon the heart as upon an anvil.

They come shaking in triumph their long green hair:
They come out of the sea and run shouting by shore.
My heart, have you no wisdom thus to despair?
My love, my love, my love, why have you left me alone?”)


VIAGENS EM TEMPOS PASSADOS E NA MODERNIDADE

O canto épico narra a precária relação entre os homens e a natureza confundida com os próprios deuses. Surpreendido com a estranheza do mundo que se abre em abismos, o herói aproxima-se dele, narrando-o. Em águas desconhecidas navega a jangada de Odisseu:

“ _ Ai de mim, desventurado! Que me acontece agora por último? A deusa, receio, em tudo me disse a verdade , quando me declarou que teria no mar a conta inteira de sofrimentos, antes de chegar à terra pátria. Eis que a predição se cumpre inteira, de tais nuvens cobre Zeus a imensidão do céu e conturba o mar, enquanto me assaltam os ímpetos dos ventos de todos os rumos. Agora é certo o meu fim abismal. Três, quatro vezes ditosos os dânaos que sucumbiram lá na Tróade vasta, pra bem merecerem os filhos de Atreu! Morresse eu também assim, deparando a minha sina, no dia em que hordas de troianos dispararam sobre mim seus dardos, disputando o corpo do filho de Peleu! Eu teria então exéquias e os aqueus espalhariam a minha fama; o destino decretou, ao invés, que eu pereça de morte mesquinha.
Enquanto assim falava , um grande vagalhão desabou do alto sobre ele, com tremenda violência, fazendo girar a jangada …” (Od. , pp.66-67)

Entretanto, a deusa marinha Leucotéia (guia dos marinheiros nas tempestades) tomou conhecimento da viagem mal sucedida do herói grego Odisseu, vindo rápido em seu auxílio. Ofereceu-lhe, então, um véu, pedindo que o estendesse sobre o peito. Dessa forma, o herói estaria a salvo da morte iminente. Odisseu, em meio ao tormento dos mares, a princípio duvidou das palavras da deusa. Por fim, atendeu-a quanto ao pedido. Abandonou a jangada, despiu-se e colocou o véu contra o peito. Durante dias o herói permaneceu subjugado aos desejos perversos dos deuses marítimos, que tentavam retirar-lhe a vida. Após muitos sofrimentos, e acreditando que a morte estivesse próxima, Odisseu avistou terras ao longe. Era a paradisíaca ilha dos feácios.
Do seio da epopéia homérica o jogo intertextual aponta para o insondável desconhecido, encontrando acolhimento renovado na epopéia virgiliana. O poeta latino narra as desventuras da viagem do herói Enéias, de Tróia ao Lácio; elas consistem em provas iniciáticas para a ascensão dos homens mortais à condição de heróis.

“Negra a noite o mar todo recobre. Troam os pólos; aos raios freqüentes o mar se ilumina. Tudo à visão dos troianos são formas variadas da Morte. Súbito, o frio percorre de Enéias os membros, deixando-os paralisados; aos astros as mãos elevando, por entre fundos suspiros, bradou: ‘_ Oh, três vezes e quatro felizes os que morreram à vista dos pais, sob o muros de Tróia! Ó tu, valente Tidida, o mais forte dos filhos de Dânao! Não ter eu tido a ventura, ao lutar nas campinas de Tróia de perecer sob os golpes dos teus fulminantes ataques, no mesmo ponto em que Heitor sucumbiu sob a lança de Aquiles, onde Sarpédone ingente, onde tantos escudos lascados e capacetes e corpos de heróis o Simoente carrega!’
Não acabara, e o violento Aquilão em reforço à tormenta bate de frente na vela maior e até aos astros a atira; quebram-se os remos; a proa se volta , deixando os costados à mercê d’ água.” (En. , p.11-12 )

Contudo, Netuno (deus do mar), não apreciando espetáculo tão triste, invoca os ventos propícios, tornando o mar manso. Assim, Enéias e seus sócios conseguem desembarcar nas costas da Líbia. Aproximam-se da morada das ninfas e ali descansam. Em seguida, partem em longa jornada rumo à fundação de Roma.
(continua em Parte II)

Prof. Dr. Sílvio Medeiros

Campinas, é outono de 2006.

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