Arquivinhos

Blog voltado à disseminação da produção intelectual do PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS, sobretudo no que se refere às seguintes áreas do saber: Filosofia, Poética, História, Literatura e Crítica Literária. Inclue-se, também, a poética de FERNANDO MEDEIROS.

9/12/08

RIMAS DA VIDA E DA MORTE

O escritor israelita Amós Oz

"Uma vez, recorda agora o escritor, Beit-Halachmi publicou uma coluna sob o título Biur chamêts, na qual escreveu em rimas  sobre a natureza que todas as coisas têm de se desgastarem e desbotarem lentamente, objetos e amores, roupas e ideais, prédios e sentimentos, tudo estremece, tudo se esfarrapa em andrajos, tudo se decompõe em poeira."

(OZ, Amós. Rimas da Vida e da Morte. Tradução Paulo Geiger. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.)

 

Leitura recomendada

pelo

Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

 

Campinas, é primavera de 2008.

criado por cas24038137    10:04 — Arquivado em: Arquivinhos de Re-citações

18/9/08

O TEMPO REDESCOBERTO

Diana and her companions

por Jan Vermeer

“Só pela arte podemos sair de nós mesmos, saber o que vê outrem de seu universo que não é o nosso, cujas paisagens nos seriam tão estranhas como as porventura existentes na Lua. Graças à arte, em vez de contemplar um só mundo, o nosso, vemo-lo multiplicar-se, e dispomos de tantos mundos quantos artistas originais existem, mais diversos entre si do que os que rolam no infinito, e que, muitos séculos após a extinção do núcleo de onde emanam, chame-se este Rembrandt ou Vermeer, ainda nos enviam seus raios.”

PROUST, Marcel. O Tempo Redescoberto in “Em Busca do tempo Perdido”. Tradução Lúcia Miguel Pereira. v.7. 11 ed. São Paulo:
Globo, 1994.

Leitura recomendada
pelo
Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

Campinas, é inverno de 2008.

criado por cas24038137    9:27 — Arquivado em: Arquivinhos de Re-citações

8/5/08

MINAS GERAIS

Rio das Velhas/ Minas Gerais.

"Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil vão brancos, pardos e pretos, e muitos índios de que os paulistas se servem. A mistura é de toda a condição de pessoas: homens e mulheres; moços e velhos; pobres e ricos; nobres e plebeus; seculares, clérigos e religiosos de diversos institutos, muitos dos quais não têm, no Brasil, convento nem casa."

(Do jesuíta André João Antonil, em ‘Cultura e Opulência do Brasil’, 1711)

 

"O Rio das Velhas lambe casas velhas/ casas encardidas…"

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Bibliografia: in "Minas colonial", Efecê Editora S.A [s.d.]

 

Leitura recomendada

pelo

Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

Campinas, é outono de 2008.

 

 

criado por cas24038137    10:56 — Arquivado em: Arquivinhos de Re-citações

23/3/08

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

Foto do poeta e escritor português Mário de Sá-Carneiro (1890/1916)

 

     "Creia, meu querido Fernando Pessoa, perdamos por completo as ilusões: eu toco o fim - um fim embandeirado, mas em todo o caso um limite. Acabei já - acabei após a minha chegada aqui [Paris]. Hoje sou o embalsamamento de mim próprio. Não tenho estados de alma, nem os posso ter já porque dentro de mim há algodão em rama ( o algodão em rama que há dentro de animais naturalizados)… Estados de alma, ânsias, tristezas, ideais, grandes torturas de que saíam os meus livros tudo isso acabou… Ilusões de glória, de ‘espanto’ já não existem em mim. Entusiasmos do que sou, tão pouco, porque demais sei o que sou. Sou o que quero - o que queria Ser; mas sei que o sou. Logo…"

(SÁ-CARNEIRO, Mário de. Correspondência com Fernando Pessoa/ Mário de Sá-Carneiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.)

 

Leitura recomendada

pelo

Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

Campinas, é Páscoa de 2008.

criado por cas24038137    18:13 — Arquivado em: Arquivinhos de Re-citações

26/11/07

MILAN KUNDERA

Foto do escritor MILAN KUNDERA    

 

     O uniforme é o que não escolhemos, o que nos é determinado; a certeza do universal diante da precariedade do individual. Quando os valores, antigamente tão seguros, são questionados e se afastam, de cabeça baixa, aquele que não sabe viver sem eles (sem fidelidade, sem família, sem pátria, sem disciplina, sem amor) se cinge na universalidade de seu uniforme até o último botão como se este uniforme ainda fosse o último vestígio da transcendência capaz de protegê-lo contra o frio do futuro, onde não haverá mais nada a respeitar.

(Milan KUNDERA. A Arte do Romance. Tradução Teresa Bulhões C. de Fonseca, Vera Mourão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.)

Leitura recomendada
pelo
Prof. Dr. Sílvio Medeiros

Campinas, é primavera de 2007.

criado por cas24038137    19:25 — Arquivado em: Arquivinhos de Re-citações

17/9/07

ROMANCE

FRANZ KAFKA

 

"Vivo absolutamente como uma ostra. Meu romance é o rochedo que me prende, e não sei nada do que ocorre no mundo" (Franz KAFKA. Journal, 249)

Prof. Dr. Sílvio Medeiros

Campinas, é setembro de 2007.

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1/9/07

A GAIA CIÊNCIA

O Jardim das Delícias

de Hieronymus Bosch

“Algumas épocas, assim como alguns indivíduos, parecem não possuir este ou aquele talento, esta ou aquela virtude: mas esperemos tão-só os netos e os filhos dos netos, se tivermos tempo para isso – eles trazem à luz do sol o interior de seus avós, esse interior do qual os avós mesmos nada sabiam. Com freqüência o filho denuncia o pai: este compreende melhor a si mesmo, depois que tem o filho. Todos nós temos jardins e plantações ocultas em nós; …” 

                                           Friedrich Nietzsche. A GAIA CIÊNCIA

criado por cas24038137    9:42 — Arquivado em: Arquivinhos de Re-citações

23/7/07

W.H.AUDEN

W.H.AUDEN

"Quando o poeta fala, como às vezes o faz, em alcançar a imortalidade através de sua poesia, não pretende dizer que espera, como Fausto, viver para sempre, mas que pretende ressuscitar dos mortos. Na poesia, como em outras questões, a lei determina que todo aquele que deseja salvar a própria vida deve perdê-la." 

W.H.Auden

criado por cas24038137    10:42 — Arquivado em: Arquivinhos de Re-citações

9/7/07

OS ÚLTIMOS DIAS DE POMPÉIA

À MUSA DAS ASTÚRIAS,
Madalena Barranco.

_ Os teus cabelos têm lindos anéis – disse Glauco - Noutro tempo fizeram, assim, creio, a alegria de tua mãe. (…)
_ Deverei entrelaçar muitas rosas na tua coroa, Glauco? Dizem-me ser a tua flor favorita.
_ E sempre será favorita, minha Nídia, de todos quantos na alma sentirem poesia: é a flor do amor, dos festins; é também a flor que ao silêncio e à morte consagramos; desabrocha nas nossas frontes durante a vida, enquanto a vida merece ser gozada, e é espalhada sobre as nossas campas quando já não existimos. (…)

De rosas, pois, devemo-nos coroar!
A beleza pertence-nos ainda;
Enquanto o rio correr e o céu brilhar,
A beleza será p’ra nós ainda!
E o mais que é belo, ou meigo, ou que fulgura
No regaço do dia, ou entre os braços
Da noite, em voz suave, que murmura
Da Grécia, lá da Grécia, às almas fala:
Que a alma da Beleza enche espaços
Do mundo, e à sua voz meiga se cala
Cuidado, ou dor dos corações… Com rosas
Tecei c’rosas, tecei; pois do passado
Elas me falam, ah! – de eras saudosas,
E o coração amado
Da minha pátria sinto-o, verdadeiro.
A respirar no lábio perfumado,
Das flores do estrangeiro.

(Lord Bulwer LYTTON. Os últimos dias de Pompéia. Tradução Fábio Valente. São Paulo - Rio de Janeiro: Editora Mérito S.A., 1956, pp.202-205)

PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Campinas, é março de 2007.

criado por cas24038137    10:11 — Arquivado em: Arquivinhos de Re-citações

2/5/07

LÁGRIMAS DE ADÃO

Thus did he speak. “I see around me here
(Então ele falou. “Vejo em torno de mim aqui)
Things which you cannot see: we die, my Friend,
(Coisas que você não pode ver: morremos Amigo)
Nor we alone, but that which each man loved
(Não nós sozinhos, mas o que cada homem amou)
And prized in his peculiar nook of earth
(E prezou em seu canto peculiar da terra)
Dies with him, or is changed; and very soon
(Morre com ele, ou é modificado; e logo)
Even of the good is no memorial left.
(Mesmo do bom não fica lembrança.)

By WORDSWORTH

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Leitura recomendada
pelo
Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é outono de 2007.

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