30/10/07

BLACK MAGIC
por René Magritte
Lusco-fusco
no aroma do orvalho.
Lusco-fusco pelos galhos
das tralhas
que carregamos pelas costas.
Lusco-fusco de cada dia
que se aproxima numa lasca
de gente que sou.
Lusco-fusco que nos abrange
o mínimo de nós.
Lusco-fusco
no aroma das árvores
ressuscitadas de vida.
Na casca de trigo
a esperança de um amigo.
Lusco-fusco traga-nos
um dia pelo preço de cada mês.
Lusco-fusco da rotina de toda vez.
FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é primavera de 2007.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007
Código do texto: T716501
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor Fernando Medeiros e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/fernandomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
23/10/07

BLUE NUDE
por Henri Matisse
RESPALDO EM CASCATA
Respaldo em cascata
é assim que se mata,
no caldo da lata,
na fome da causa.
Respaldo em cascata
encostar-se sempre,
esperando a linha do horizonte.
Respaldo do ontem,
cantiga em prece,
logo amanhece
e vem a desdita
do respaldo em comandita.
Respaldo em enleios,
veias, sangue,
mundo em combustão.
Respaldo no carro,
a chave de ignição.
Respaldo em candeia,
cada dia por cadeia,
eis a questão…
Respaldo no cume da montanha,
onde o lume não vagueia.
Respaldo em cadeia,
carência do íntimo,
vivência do ínfimo.
Respaldo por tudo
e tudo fica mudo.
FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é primavera de 2007.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 23/10/2007
Código do texto: T706345
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16/10/07

AFRESCO CAPELA SISTINA
por Michelangelo
ESMOLA À ALVORADA
Esmola à alvorada,
o caminho é íngreme,
a luta constante
e o salto ornamental:
lá se foi o vento oriental.
Ficaram pedras de areia
na confluência do nada.
Esmola à alvorada
é só o que se pode dar
diante de tanto desamor.
Viola ao redentor.
Buscar um pingo de lágrima,
quando se aumenta a dor.
Esmola à alvorada,
caminho passo a passo
num mundo em ebulição.
A revolução das cores
dos meus olhos
defronta-se com sinistros sonhos
que revelam perdição.
Larga é a porta da perdição.
Esmola à alvorada
para num lapso de espreita
encontrar de novo a porta estreita.
Esmola à alvorada,
meu corpo tornou-se…
FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é primavera de 2007.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 16/10/2007
Código do texto: T696574
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12/10/07

PAINTING 1934
por Paul Klee
NUANÇAS MULTICORES
Nuanças multicores
que tais e mais flores
que simbolizam jardins
encantados de ardores.
Nuanças invernais
que representam o frio de todos.
Os continentes
como o calor de todos os trópicos.
Mudanças de telescópio
a representar andanças
de cosmonautas.
Nuanças de arco íris
reverdecendo selvas que
se transformarão em grandes
gerânios.
Gerúndio vitória régia …
Gerúndio – verso
em meio a nuanças de
meus amores.
Andanças de visionários
a questionar seus salários eternos.
Nuanças dos sem temores,
livres acrobatas,
dos circos inimagináveis dos sonhos.
Nuanças dos mais risonhos,
da vida em conjunção com
a arte pintada em flores.
Nuanças de meus amores…
FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é primavera de 2007.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 12/10/2007
Código do texto: T691139
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10/10/07

O Jardim das Delícias
por Hieronymous Bosch
Panela sobre o fogão
O fósforo é claro-verão
Hum… galinha de cabidela
Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é primavera de 2007
9/10/07

A nuvem sob o céu de primavera
O jardim no jogo claro-escuro
O botão de rosa… bloom!
Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é primavera de 2007.
2/10/07

JARDIM DOS POETAS
por Vincent Van Gogh
NASCER JUSTICEIRO
Como a semente santa que germina o ressuscitar,
como uma harmônica que jamais cantará,
como o mais belo sentimento oprimido no coração
é nascer um forte! é nascer um justiceiro!
Nascer eternamente um revoltado prisioneiro,
um decepcionado com o mundo sem benção,
nascer com a vontade imensa de repartir o pão
é nascer justiceiro! é não ter consideração…
Caminho gélido inatingível pervaga o lutador,
e sua justiça amargando o coração humano
que deseja o belo fim do desconhecimento e dor.
Por isso, nascer justiceiro é possuir um sol perdedor,
é ser caluniado, é ter um peito insatisfeito e insano.
Por isso, nascer justiceiro é nascer sofredor…
FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é primavera de 2007.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 02/10/2007
Código do texto: T677129
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