9/7/07
OS ÚLTIMOS DIAS DE POMPÉIA

À MUSA DAS ASTÚRIAS,
Madalena Barranco.
_ Os teus cabelos têm lindos anéis – disse Glauco - Noutro tempo fizeram, assim, creio, a alegria de tua mãe. (…)
_ Deverei entrelaçar muitas rosas na tua coroa, Glauco? Dizem-me ser a tua flor favorita.
_ E sempre será favorita, minha Nídia, de todos quantos na alma sentirem poesia: é a flor do amor, dos festins; é também a flor que ao silêncio e à morte consagramos; desabrocha nas nossas frontes durante a vida, enquanto a vida merece ser gozada, e é espalhada sobre as nossas campas quando já não existimos. (…)
De rosas, pois, devemo-nos coroar!
A beleza pertence-nos ainda;
Enquanto o rio correr e o céu brilhar,
A beleza será p’ra nós ainda!
E o mais que é belo, ou meigo, ou que fulgura
No regaço do dia, ou entre os braços
Da noite, em voz suave, que murmura
Da Grécia, lá da Grécia, às almas fala:
Que a alma da Beleza enche espaços
Do mundo, e à sua voz meiga se cala
Cuidado, ou dor dos corações… Com rosas
Tecei c’rosas, tecei; pois do passado
Elas me falam, ah! – de eras saudosas,
E o coração amado
Da minha pátria sinto-o, verdadeiro.
A respirar no lábio perfumado,
Das flores do estrangeiro.
(Lord Bulwer LYTTON. Os últimos dias de Pompéia. Tradução Fábio Valente. São Paulo - Rio de Janeiro: Editora Mérito S.A., 1956, pp.202-205)
PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Campinas, é março de 2007.
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