Arquivinhos

Blog voltado à disseminação da produção intelectual do PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS, sobretudo no que se refere às seguintes áreas do saber: Filosofia, Poética, História, Literatura e Crítica Literária. Inclue-se, também, a poética de FERNANDO MEDEIROS.

23/7/07

W.H.AUDEN

W.H.AUDEN

"Quando o poeta fala, como às vezes o faz, em alcançar a imortalidade através de sua poesia, não pretende dizer que espera, como Fausto, viver para sempre, mas que pretende ressuscitar dos mortos. Na poesia, como em outras questões, a lei determina que todo aquele que deseja salvar a própria vida deve perdê-la." 

W.H.Auden

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21/7/07

SELO DE QUALIDADE

Caros leitores,

na data de 20 de julho de 2007, o Blog Cultural "Arquivinhos" foi contemplado com o selo de qualidade do site "Links & Sites: Seleção dos melhores Sites do Brasil".

Por gentileza, confira em "Canal 3" = Blog (clicar letra A) no seguinte endereço:

http://www.lksites.com

 

Cordiais saudações

do

Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

Campinas, 21 de julho de 2007.

 

 

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13/7/07

TEARDROP… e orvalho

TEARDROP… e orvalho
(Poética recomendada pelo Prof. Dr. Sílvio Medeiros) 

                        Autoria: ANA VALÉRIA SESSA, 
                                           a NINFA paulistana.

So beautiful and heavy
So funny, so sad
são as juras eternas
abrandando medos
segredos…escancarados ao vento.
Cheers ! um brinde e uma lágrima
às trapaças do tempo!

Luzes na alma
que nunca emergem do abissal.
São como um mar sem sal
Tão sem soul quando não me vejo,
…rondo e rondo
e o perdido desejo já não cabe
nesse som tão redondo: Home.
Sou mesmo de um lugar que desconheço
e tua retina é o espelho que insiste
pois mesmo que por um instante
só ali me reconheço.

Sonhando somas
ao invés de sobras
Sou a palavra que manobra
a morte longe de mim.
Vertigem de me fazer assim:
Beirando meu próprio abismo
olhando bem fundo o escuro de mim,
a lágrima se cristaliza em choque
teima e amanhece em orvalho
…oh, teardrop !

Até quando vou perseguir
virtudes solicitadas
por algo em mim que desconheço
e que me transpassa ?
Sina de um sortilégio paradoxal
que se reproduz num ventre estranho
que é luz etérea e fome animal.

ANA VALÉRIA SESSA
São Paulo, 13 de julho de 2007.

SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 13/07/2007
Código do texto: T564062

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ALIMENTO

TRIBUTO À VIDA

no site do poeta MILTON GAMA.

ALIMENTO

Vou sem ansiedade,
tristeza na alma
e alvo de intrigas e lamentos.
Sinto-me um cordeiro cativo
a procura dos devaneios do objetivo.
Minha vontade é um poço de sangue,
e meu coração quase não fala.
Tenho um caminho e uma mala,
quero partir para o pensamento eficaz,
que é achar o cume da paz.
Minha maneira não é este viver,
tenho um sentimento de só desalento;
um dia a mente cansa de sofrer
e nossa revolta canta pelo alimento.
Um alimento que frutifique
esta intensa dor de injustiça,
um alimento que diminua
este constante peso sobre minhas costas.
E só assim poderei morar
naquela bela lua,
e lá plantarei a vida com ternura,
farei ruas onde morem andorinhas,
pois não suporto esta falta de consideração,
esta instantânea alegria em vão.
Preciso deste alimento,
pois só assim partirei para minha lua,
e lá não existirá ambição,
esse amargo, esse sal, essa tristeza.
Venha alimento!
Desça do céu! Suba das profundezas
destas sofridas terras!

Quanto preciso do trigo consolador!
Quando sentimos nosso peito sem amor,
nos tornamos frios sobre a pálpebra gelada,
assim perde-se o ímpeto, o desejo e a escada,
e nos enterramos dentro de um amargo rancor.

Por isto preciso deste alimento,
mesmo que morra em tanto querer,
preciso do trigo consolador e puro,
é a última esperança viva
de um doente sem futuro.

FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é inverno de 2007.

FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 13/07/2007
Código do texto: T563617

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9/7/07

LUA ÁLGIDA

LUA ÁLGIDA

Lua álgida
que se aclara
nas vestes eternais.
Caminha como
afago da bruma
festivais.
Uma aurora
em flor de atitude.
A robustez do ontem,
do encontro na enseada.
Uma caminhada
e um sentido retilíneo,
no passeio o abrigo
do querer irreflexo.
Caminho com o reflexo
do encontro em flor
espirais.
Uma nova cantiga
e a lua álgida
aclara uma nova jornada
em múltiplos caminhos.

FERNANDO MEDEIROS

Campinas, é inverno de 2007

Publicado no Recanto das Letras em 09/07/2007
Código do texto: T557804

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OS ÚLTIMOS DIAS DE POMPÉIA

À MUSA DAS ASTÚRIAS,
Madalena Barranco.

_ Os teus cabelos têm lindos anéis – disse Glauco - Noutro tempo fizeram, assim, creio, a alegria de tua mãe. (…)
_ Deverei entrelaçar muitas rosas na tua coroa, Glauco? Dizem-me ser a tua flor favorita.
_ E sempre será favorita, minha Nídia, de todos quantos na alma sentirem poesia: é a flor do amor, dos festins; é também a flor que ao silêncio e à morte consagramos; desabrocha nas nossas frontes durante a vida, enquanto a vida merece ser gozada, e é espalhada sobre as nossas campas quando já não existimos. (…)

De rosas, pois, devemo-nos coroar!
A beleza pertence-nos ainda;
Enquanto o rio correr e o céu brilhar,
A beleza será p’ra nós ainda!
E o mais que é belo, ou meigo, ou que fulgura
No regaço do dia, ou entre os braços
Da noite, em voz suave, que murmura
Da Grécia, lá da Grécia, às almas fala:
Que a alma da Beleza enche espaços
Do mundo, e à sua voz meiga se cala
Cuidado, ou dor dos corações… Com rosas
Tecei c’rosas, tecei; pois do passado
Elas me falam, ah! – de eras saudosas,
E o coração amado
Da minha pátria sinto-o, verdadeiro.
A respirar no lábio perfumado,
Das flores do estrangeiro.

(Lord Bulwer LYTTON. Os últimos dias de Pompéia. Tradução Fábio Valente. São Paulo - Rio de Janeiro: Editora Mérito S.A., 1956, pp.202-205)

PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Campinas, é março de 2007.

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