Arquivinhos

Blog voltado à disseminação da produção intelectual do PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS, sobretudo no que se refere às seguintes áreas do saber: Filosofia, Poética, História, Literatura e Crítica Literária. Inclue-se, também, a poética de FERNANDO MEDEIROS.

15/3/07

Sra. SILHUETA

The Rose

de SALVADOR DALI

Sra. SILHUETA

Eu me lembro,
era há muito tempo,
majestosa silhueta em minhas Campinas!
Rodoviária;
rumo… São José dos Campos.
Ronco do motor,
partida…
Quarto banco é meu posto, de vigia,
primeiro banco: sra. Silhueta!
Embarque… ônibus parte; em vigília
vigilante meu olhar sobrevoa as poltronas
e desaba rumo ao livro
em mãos da elegante sra. Silhueta;
ela manipula, empurra as páginas;
desesperadas, descabeladas páginas,
mãos ágeis da sra. Silhueta…
Zig Zag… página avante, página anotada,
manipulada, rabiscada… o título!
“Deserto dos Tártaros”…
Sra. Silhueta torce, a torsão aos túrcicos, retorce, rabisca, risca, perfura e
tece, tece, tece…
Ouço gemidos, o ronco bronco;
os gritos das páginas…
A bela sra. segue sem rumo em silhuetas,
tempo medido em desmedida,
luta,
tempo sentido,
ampulheta,
e meu olhar colide com as mãos bárbaras, tártaras e
inquietas da nobre sra.
ora, ora, ora, páginas adiante, tempo avante!
Segue rumo certo, incerto;
mãos manipuladoras, saltam, pulam páginas, o grifo!
Mais um grito!
Da letra, das letras… rumam ao deserto,
rumo ao sol abrasador-matador-encantador…
As letras, as savanas, as estepes,
dunas de areia, sereia-oásis e
as letras brilham luminescência, Mercúrio!
Mergulho, essências, perfumes da sra. Silhueta;
a letra, as letras, as sílabas, vogais, consoantes, areias finíssimas
emolduradas em minha mente,
um quadro epifânico!
Rumo bem bem perdido… em pânico!
Tempo e espaço alternados,
alterados…
Meu olhar marcha sobre o quadro de letras;
ela porta as estrelas nas mãos,
que cortam, rasuram, apagam, amputam, anotam anotações,
constelações…
em abandono minhas defesas rotacampinasopmacinasaojosedostranstornadosonhosonolênciasiasonhosopmacampinasmaciasenhoracorreperdidameioaodesertartarosusbinôôô…

estrela cadente,
cabelos doirados,
caneta ou lápis?
Não me lembro, tão-somente mãos ágeis,
Sereia perigosa,
sra. Silhueta,
curvas sinuosas,
indecorosa Sereia,
gira a ampulheta,
areia fina a vida passa,
Sereia ociosa…
Intoxicanção de letras, signos,
sensações; prossigo, imaginações, estações…
Estação de embarque!
Marcus!
Desembarque…
_ Oi, Sylvius! Fez boa viagem?! – Alexandria.

Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é Marte-verão de 2007.

criado por cas24038137    20:14 — Arquivado em: Poética de Sílvio Medeiros

2 Comentários »

  1. Comentário por Roberta — 22 de março de 2007 @ 18:31

    Caríssimo,

    A moça tinha bom gosto , “O deserto dos tártaros” ;)
    E, quanto aos posts anteriores…
    Simplesmente Bergman é meu diretor favorito.

  2. Comentário por Madalena Barranco — 25 de março de 2007 @ 15:59

    Querido Silvio, a “silhueta” em versos ficou um encanto! A imagem da “rosa” então… Acrescentou algo mais à imagem da poesia. Lindo! Beijos.

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