Arquivinhos

Blog voltado à disseminação da produção intelectual do PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS, sobretudo no que se refere às seguintes áreas do saber: Filosofia, Poética, História, Literatura e Crítica Literária. Inclue-se, também, a poética de FERNANDO MEDEIROS.

28/3/09

DESATITUDE

DESATITUDE

Avizinha-se de mim o que quer requer.
Amesquinha-se em nós o premier.
Abocanha-se do bolo
o resto da boca do consolo.
Percebe-se o restante do tolo.
Avizinha-se de nós
a busca ofusca.
Resenha-se para nós
a tosca rosca.
Desenha-se para o horário
a viga da intriga.
Ordena-se para o trabalho
o jogo logro.
Avizinham-se dos estandartes
as cartas lagartas.
Aproximam-se dos salários
as tortas mortas.
Vêem-se em cima dos horários
os gestos infestos;
passa a chusma dos vistos quistos.
Avizinha-se do itinerário
o ranço pança.
Mata-se o ninho
da solda solta.
Consagra-se o caminho
do elástico bombástico
que se solta na pele.
A desatitude se avizinha,
de forma mesquinha, pois
que nos requer: o premier…

FERNANDO MEDEIROS
Campinas, 10 de janeiro de 2007.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 28/03/2009
Código do texto: T1510379

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor Fernando Medeiros e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/fernandomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivada

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29/12/08

LUZ PARTIDA

LUZ PARTIDA

Começo de vida,
luz partida.
Reparte a laranja,
e o sol desponta.
Luz álgida
que se espelha
por todos os
lados.
Felizes feriados.
Caminhos presentes,
futuros longínquos.
Nova Cidade
Além -
Nova Jerusalém.
Luz comedida
na estrada do
Bem.
Um trem parte…
Amanhece o dia
de luzes partidas
entre sombras.
E o concreto na terra.
Luz partida – passo.

Fernando Medeiros
Campinas, é verão de 2008.

FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 29/12/2008
Código do texto: T1358379
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Prêmio VEJ@BLOG

Cheio de júbilo, agradeço o site “Vej@Blog Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil” (http://www.vejablog.com.br) pelo belo gesto de hospitalidade e reconhecimento ao eleger o Blog “Arquivinhos” entre os melhores Blogs do Brasil.

 

 

Abraços fraternos

do

Prof.  Dr. Sílvio Medeiros.

 

Campinas, 29 de dezembro de 2008.

criado por cas24038137    14:21 — Arquivado em: Poética de Sílvio Medeiros

9/12/08

RIMAS DA VIDA E DA MORTE

O escritor israelita Amós Oz

"Uma vez, recorda agora o escritor, Beit-Halachmi publicou uma coluna sob o título Biur chamêts, na qual escreveu em rimas  sobre a natureza que todas as coisas têm de se desgastarem e desbotarem lentamente, objetos e amores, roupas e ideais, prédios e sentimentos, tudo estremece, tudo se esfarrapa em andrajos, tudo se decompõe em poeira."

(OZ, Amós. Rimas da Vida e da Morte. Tradução Paulo Geiger. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.)

 

Leitura recomendada

pelo

Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

 

Campinas, é primavera de 2008.

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12/10/08

QUAISQUER LETRAS

Fonte: bluedollt.spaces.live.com/blog

QUAISQUER LETRAS

Tentei definir
Como, por que e onde
Em um instante me perdi.
Não consegui, não tive
Tempo para entender.
Olhei, sorri e sonhei
Em ter você ao menos
Em pensamento,
Pois não há definição
Para a loucura, muito menos para o amor.

ELAINE BORGHI
Avaré/Jaú/Campinas, é primavera de 2008.

ELAINE BORGHI
Publicado no Recanto das Letras em 12/10/2008
Código do texto: T1224200

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18/9/08

O TEMPO REDESCOBERTO

Diana and her companions

por Jan Vermeer

“Só pela arte podemos sair de nós mesmos, saber o que vê outrem de seu universo que não é o nosso, cujas paisagens nos seriam tão estranhas como as porventura existentes na Lua. Graças à arte, em vez de contemplar um só mundo, o nosso, vemo-lo multiplicar-se, e dispomos de tantos mundos quantos artistas originais existem, mais diversos entre si do que os que rolam no infinito, e que, muitos séculos após a extinção do núcleo de onde emanam, chame-se este Rembrandt ou Vermeer, ainda nos enviam seus raios.”

PROUST, Marcel. O Tempo Redescoberto in “Em Busca do tempo Perdido”. Tradução Lúcia Miguel Pereira. v.7. 11 ed. São Paulo:
Globo, 1994.

Leitura recomendada
pelo
Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

Campinas, é inverno de 2008.

criado por cas24038137    9:27 — Arquivado em: Arquivinhos de Re-citações

15/8/08

A ÚLTIMA HORA

THE SIREN

by John William Waterhouse

A ÚLTIMA HORA

A última hora
Em que escrevo
É a primeira em que choro,
O choro convulsivo
Que decoro
Como a lição da sombra.
A última hora
em que escrevo
é a primeira em que fujo,
quando espero
e começa então a velha
lição do desespero,
a velha rainha que me fecha
pelos cantos, pelo teto.
Nasce a rainha
E começa, então,
A velha ladainha do desafeto.

FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é inverno de 2008.

FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 15/08/2008
Código do texto: T1129665

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17/7/08

CANÇÃO BRASILEIRA

Arte digital de Mariah in Olhares

CANÇÃO BRASILEIRA

Ouviram no Ipiranga um grito de fome,
Nas plácidas margens de um Brasil triste.
Viram um povo magro e sem nome,
Um heróico povo que não existe,
Um Cruzeiro do sul que não ilumina.

Gigante pela própria natureza,
Pequeno e desnutrido pela pobreza.
Filhos desta caatinga e bêbados pela pinga…
Filhos da mãe gentil,
Oh, Pátria amada!
Porém calada e conivente, Brasil!

FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é inverno de 2008.

FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 17/07/2008
Código do texto: T1084532

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13/6/08

MANHÃ INESQUECÍVEL

MANHÃ INESQUECÍVEL

Acordei e vi o céu todo dourado,
um amanhecer tão belo nunca tinha visto,
escondi minha amargura e fiquei maravilhado,
uma estranha esperança brotou em minhas mãos.
Minha vida como sempre permanecia triste,
mas naquela manhã senti algo diferente,
aquele raiar de dia tinha um esplendor
que reina apenas num astro reluzente.
Era como a voz de Deus que me acordava
para eu conhecer um céu todo alaranjado
pelos primeiros raios do sol sublime
que se erguia levemente abençoado.
Que estranha emoção me invadiu
às cinco horas da manhã daquele domingo.
A emoção de um dia ver meu coração febril
se descortinar tão belamente pelas paragens
destes meus universos tão macerados.
Quando olhei aquele domingo renascendo,
aquele céu todo alaranjado na abóbada,
só pude sentir uma estranha esperança
e esquecer que era imperfeito e decaído,
que eu era louco e estava abandonado.
Por um pouco pude me esquecer
que eu perseguia as pessoas
e elas cruelmente também me perseguiam,
me feriam, me martirizavam.
Esqueci de tudo…
Olhei tão-somente aquela manhã,
e como não me lembrasse mais do passado,
me esperancei.
Pensei que ainda poderia vir uma vida de paz e alegria.
Como um ingênuo… me esperancei. Esqueci do sarcasmo,
do cinismo,
sentimentos que mostram a decadência de um homem.
Esqueci dos aborrecimentos e abri meu velho rosto enraivecido
para aquela doce manhã dourada de domingo,
que trazia para mim um prêmio: era a estranha esperança
de nascer meus ideais, meus sentimentos;
o estranho ímpeto de sonhar forte
pelo bem de uma vida há muitos anos apagada.


FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é outono de 2007.

FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 13/06/2008
Código do texto: T1032284

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10/6/08

FLAUTA

Pastor Flautista

por Sophie Anderson

FLAUTA

Um canto de flauta um coração acalma
na noite desgostosa de minha alma.
A música é triste
e as colinas distantes.
Uma garoa coruscante
desce sobre a madrugada de todos nós.
E um canto de flauta
se ouve no ar.
Não se sabe se é Deus
que quer me esperançar
ou será satanás
que quer me matar.
É um canto triste: este da flauta,
é um trágico poema sobre a pauta,
é um grito de revolta no bacanal,
é uma morte em pleno carnaval.
Mas é uma música linda de flauta
que, tão logo me assalta,
leva os encantos de mim.
Talvez seja um anjo ruim
que me faça lembrar das desgraças
e perder a fé em todas as graças.
É o canto rude da flauta,
do inferno, da voz mais alta
que brada toda a tristeza.
O fim da encruzilhada, o ponto de chegada.
Um canto penoso de flauta
dos meus nervos salta,
é o canto da súplica,
a música recalcada
com o mundo, com o fundo de nosso abismo,
de nosso egoísmo…

FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é outono de 2008.

FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 10/06/2008
Código do texto: T1027486

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