| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | |
| 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 |
| 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 |
| 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 |
| 28 | 29 | 30 | 31 |

Arte digital de Mariah in Olhares
CANÇÃO BRASILEIRA
Ouviram no Ipiranga um grito de fome,
Nas plácidas margens de um Brasil triste.
Viram um povo magro e sem nome,
Um heróico povo que não existe,
Um Cruzeiro do sul que não ilumina.
Gigante pela própria natureza,
Pequeno e desnutrido pela pobreza.
Filhos desta caatinga e bêbados pela pinga...
Filhos da mãe gentil,
Oh, Pátria amada!
Porém calada e conivente, Brasil!
FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é inverno de 2008.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 17/07/2008
Código do texto: T1084532
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor Fernando Medeiros e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/fernandomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

MANHÃ INESQUECÍVEL
Acordei e vi o céu todo dourado,
um amanhecer tão belo nunca tinha visto,
escondi minha amargura e fiquei maravilhado,
uma estranha esperança brotou em minhas mãos.
Minha vida como sempre permanecia triste,
mas naquela manhã senti algo diferente,
aquele raiar de dia tinha um esplendor
que reina apenas num astro reluzente.
Era como a voz de Deus que me acordava
para eu conhecer um céu todo alaranjado
pelos primeiros raios do sol sublime
que se erguia levemente abençoado.
Que estranha emoção me invadiu
às cinco horas da manhã daquele domingo.
A emoção de um dia ver meu coração febril
se descortinar tão belamente pelas paragens
destes meus universos tão macerados.
Quando olhei aquele domingo renascendo,
aquele céu todo alaranjado na abóbada,
só pude sentir uma estranha esperança
e esquecer que era imperfeito e decaído,
que eu era louco e estava abandonado.
Por um pouco pude me esquecer
que eu perseguia as pessoas
e elas cruelmente também me perseguiam,
me feriam, me martirizavam.
Esqueci de tudo...
Olhei tão-somente aquela manhã,
e como não me lembrasse mais do passado,
me esperancei.
Pensei que ainda poderia vir uma vida de paz e alegria.
Como um ingênuo... me esperancei. Esqueci do sarcasmo,
do cinismo,
sentimentos que mostram a decadência de um homem.
Esqueci dos aborrecimentos e abri meu velho rosto enraivecido
para aquela doce manhã dourada de domingo,
que trazia para mim um prêmio: era a estranha esperança
de nascer meus ideais, meus sentimentos;
o estranho ímpeto de sonhar forte
pelo bem de uma vida há muitos anos apagada.
FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é outono de 2007.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 13/06/2008
Código do texto: T1032284
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor Fernando Medeiros e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/fernandomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Pastor Flautista
por Sophie Anderson
FLAUTA
Um canto de flauta um coração acalma
na noite desgostosa de minha alma.
A música é triste
e as colinas distantes.
Uma garoa coruscante
desce sobre a madrugada de todos nós.
E um canto de flauta
se ouve no ar.
Não se sabe se é Deus
que quer me esperançar
ou será satanás
que quer me matar.
É um canto triste: este da flauta,
é um trágico poema sobre a pauta,
é um grito de revolta no bacanal,
é uma morte em pleno carnaval.
Mas é uma música linda de flauta
que, tão logo me assalta,
leva os encantos de mim.
Talvez seja um anjo ruim
que me faça lembrar das desgraças
e perder a fé em todas as graças.
É o canto rude da flauta,
do inferno, da voz mais alta
que brada toda a tristeza.
O fim da encruzilhada, o ponto de chegada.
Um canto penoso de flauta
dos meus nervos salta,
é o canto da súplica,
a música recalcada
com o mundo, com o fundo de nosso abismo,
de nosso egoísmo...
FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é outono de 2008.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 10/06/2008
Código do texto: T1027486
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor Fernando Medeiros e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/fernandomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Pintura de KANDINSKY
DESTINO
Sabe-se lá
Em que lugar
Encontra-se meu desatino.
Se lágrimas foram perdidas
Tantas foram repartidas.
Uma pancada na porta,
Atendo o chamado
E respondo ao mesmo tempo
Que é o destino.
O mesmo eu construí
De modo tão repentino.
Uma porta,
Um chamado na consciência.
Respostas,
Canções que não são de decadência.
Destino, residência que com minhas mãos
Construí.
Mundo e reflexões
Estas histórias eu escrevi.
Correntes e memórias
A tudo conciliou o destino
De modo tão repentino.
Uma passagem por vales ásperos.
Uma linguagem repleta de sábios murmúrios
E uma viagem sangrenta para muitos semelhantes.
Planeta, atrações, reações,
Estas cantigas constelação de violeiro
Mil acordes para meu destino.
Ternura, quente envolvimento
Minhas amigas, hipnotismo pelo olhar quente
E felino.
Mil mulheres para meu destino.
Oceanos, arrebatamentos de ondas
Estas canoas, a alma jovem,
Constelação de menino
Mil embarcações para meu destino.
FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é outono de 2008.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 22/05/2008
Código do texto: T1000754
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor Fernando Medeiros e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/fernandomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Rio das Velhas/ Minas Gerais.
"Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil vão brancos, pardos e pretos, e muitos índios de que os paulistas se servem. A mistura é de toda a condição de pessoas: homens e mulheres; moços e velhos; pobres e ricos; nobres e plebeus; seculares, clérigos e religiosos de diversos institutos, muitos dos quais não têm, no Brasil, convento nem casa."
(Do jesuíta André João Antonil, em 'Cultura e Opulência do Brasil', 1711)
"O Rio das Velhas lambe casas velhas/ casas encardidas..."
(Carlos Drummond de Andrade)
Bibliografia: in "Minas colonial", Efecê Editora S.A [s.d.]
Leitura recomendada
pelo
Prof. Dr. Sílvio Medeiros.
Campinas, é outono de 2008.